Eu, Robô (2004) - Análise - Ação, Ficção Científica, filosofia, reflexão e Will Smith mandando bem!
Por: Rudnei Ferreira
De tempos em tempos, o cinema nos apresenta uma história envolvendo humanos, máquinas e inteligência artificial. De fato, com o avanço cada vez mais frequente da tecnologia, nossa mente viaja para tentar imaginar como será o futuro daqui a alguns anos e como esses avanços irão moldar os rumos da humanidade. É algo realmente assustador e, ao mesmo tempo, fascinante.
Em 1950, Isaac Asimov (1920 - 1992), um importante bioquímico e escritor russo lançou ''Eu, Robô'', uma série de contos de ficção científica que foram copilados em um livro de grande sucesso, tornando-se uma das obras mais respeitadas e cultuadas da literatura mundial, abordando exatamente temas como robótica e inteligência artificial. Em 2004, o diretor Alex Proyas, que em 2016 seria o responsável pela bomba cinematográfica ''Deuses do Egito'', foi o escolhido para trazer para as telas uma super produção estrelada pelo astro Will Smith, com roteiro levemente baseado nos conceitos criados por Isaac Asimov nos anos 50. Felizmente, Proyas conseguiu entregar um grande filme, mesmo que a história não seja exatamente fiel ao material em que se baseia. Mesmo assim, é um filme divertido e inteligente, que vale a pena conferir.
A trama se passa em Chicago, no futuro ano de 2035, onde humanos e máquinas convivem em harmonia uns com os outros, sendo que os robôs são criados para servirem os seres humanos, respeitando três importantes leis da robótica. O detetive policial Del Spooner (Will Smith) é o único que não compartilha dessa convivência pacífica, desprezando e tendo completa aversão as máquinas e a tecnologia ao seu redor. Quando Alfred Lanning (James Cromwell), um brilhante cientista e criador da U.S Robotics é encontrado morto, Spooner começa uma fervorosa investigação para desvendar as pistas em torno da misteriosa morte. Pistas que levam até Sonny (Alan Tudyk), um inteligente e misterioso robô, principal suspeito da morte do cientista, mas com propósitos maiores do que qualquer um poderia imaginar.
''Eu, Robô'' é um conto sobre tecnologia, inteligência artificial e reflexões sobre os sentimentos e as condições humanas. Com uma trama inteligente e bastante imersiva e envolvente, o longa é também uma ficção científica que diverte e empolga por suas sequências de ação bem dirigidas e eletrizantes. É uma mistura interessante de enredos que fazem lembrar outras obras como ''O exterminador do futuro'', ''O homem bicentenário'', ''Ex Machina: instinto artificial'', entre outras produções com temáticas semelhantes. Porém, o filme possui identidade própria e sabe caminhar bem com as próprias pernas, entregando algo que, mesmo derivado em alguns momentos, se torna autêntico em sua proposta. O roteiro faz referências e alusões a Revolução Industrial, evento que se iniciou em meados do século 18 e se estendeu pelo século 19, basicamente se resumindo em fazer a transição do trabalho manual para o mecânico. E de fato, o roteiro de ''Eu, Robô'' trabalha muito com esse tema. Afinal, a visão tecnológica presente no futuro de 2035 é amplamente avançada, fazendo com que as máquinas e a tecnologia tenham um papel cada vez mais importante dentro da sociedade.
Os textos de Asimov possuem esse conteúdo e o filme ''Eu, Robo'', mesmo se tratando de uma produção mais antiga nos dias de hoje, levanta algumas reflexões sobre o papel do ser humano diante do avanço tecnológico. Basta ver o quanto somos dependentes da tecnologia na atualidade e o quanto ela nos ajuda e muito, tornando essa visão imaginativa e especulativa de um futurístico ano de 2035 algo bem plausível e possível de se acontecer se as coisas continuarem a evoluir. Na verdade, tudo está se encaminhando para isso.
Mesmo se tratando de um filme com mais de 10 anos de lançamento, a produção impressiona pela qualidade dos seus efeitos visuais. A construção visual de uma Chicago futurista e toda sua tecnologia é, de fato, impressionante. Os robôs presentes em cena possuem peso e textura, os tornando bem realistas. Claro que em algumas sequências, o CGI denuncia que são todos bonecos digitais, mas, na maioria do tempo, os seres robóticos marcam presença e interagem muito bem com os cenários reais e o elenco humano. Alex Proyas dirige as cenas com habilidade, envolvendo o espectador pela história. Seja em cenas mais calmas, porém emblemáticas, como é o caso do interrogatório, quanto nas várias cenas de ação, Proyas tem controle da situação e entrega um bom trabalho por trás das câmeras, com mãos firmes.
No elenco, Will Smith demonstra o carisma de sempre. O ator possui talento suficiente para roubar todas as cenas em que aparece. Seu Detetive Spooner é durão, marrento, sarcástico e mesmo assim, bem humorado no que fala e faz e possui um trauma que, quando revelado, justifica seu desprezo pela tecnologia a sua volta. Will, com muita naturalidade, entrega todas essas facetas do personagem com maestria, sem jamais parecer forçado. É o astro sendo natural e absolutamente entregue mais uma vez a um personagem. Sonny, o misterioso robô suspeito por assassinato traz carisma, mistério, sarcasmo e bom humor na sua composição, o tornando um coadjuvante fascinante e interessante de se desvendar. O mérito desse bom personagem vai para a boa performance de Alan Tudyk, que empresta sua voz calma e seus movimentos ágeis ao personagem, com a ajuda dos efeitos visuais. Bridget Moynaham faz da sua doutora Calvin uma boa personagem feminina, porém, sem a mesma presença e peso dos dois atores. Bruce Greenwood é vendido como o vilão da trama, mas o roteiro reserva algumas surpresas para quem está assistindo ao longa pela primeira vez. Chi McBride e Shia LaBeouf nada tem a acrescentar a história. São dispensáveis, mas pelo menos, não atrapalham. E o personagem do saudoso James Cromwell é extremamente importante, movendo o andar dos acontecimentos da trama, mesmo que a participação do ator se resuma a pouquíssimas cenas.
''Eu, Robô'' é um filme ágil, instigante, envolvente, eletrizante e visualmente incrível, com conceitos filosóficos, interessantes e reflexivos. Mesmo que muitos reclamem do fato do roteiro não ser fiel ao material original em que se baseia, o longa de Alex Proyas merecia ter feito mais sucesso, além de ter mais visibilidade. Afinal, é mais um exemplar de um bom filme de ficção científica envolvendo tecnologia e robôs. Um Blockbuster de primeira, garantia de diversão na medida certa.
Nota: ★★★★★★★★★ 9
EU, ROBÔ (I, ROBOT - 2004) - Ação/ficção científica/suspense, 114 Minutos. / DIREÇÃO: Alex Proyas. - ELENCO: Will Smith, Bridget Monahan, Alan Tudyk, Bruce Greenwood, James Cromwell, Chi McBride, Shia LaBeouf, Fiona Hogan. CLASSIFICAÇÃO: 12 Anos. NOTA NO ROTTEN TOMATOES: 56%











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