Animais Fantásticos: Os crimes de Grindelwald (2018) - Análise - Uma sequência grandiosa!

 


Por: Rudnei Ferreira 


A saga Harry Potter foi e é até os dias de hoje um dos maiores sucessos presente na cultura pop. Vinda da literatura, a saga composta por sete livros escritos pela inglesa J.K Rowling obteve um sucesso estrondoso de vendas no mundo inteiro, além de ser traduzidos para mais de 60 idiomas. É a série de livros mais vendida na história, ficando apenas atrás da Bíblia. Tamanho sucesso literário foi também para as telas do cinema, onde quatro grandes diretores (Chris Collumbus, Alfonso Cuarón, Mike Newell e David Yates) trouxeram as adaptações cinematográficas da saga, totalizando oito filmes que juntos, arrecadaram mais de 6 Bilhões em bilheterias pelo mundo afora, se tornando uma das franquias de maior sucesso da história do cinema. 

Cinco anos depois do lançamento do último filme da saga Harry Potter no cinema, os produtores decidiram começar uma nova saga de filmes que se passam no mesmo universo do bruxinho mais famoso do mundo, contando eventos de aproximadamente 60 anos antes. Sendo assim, em 2016, ''Animais Fantásticos e onde habitam'' chegou ás telas do cinema, para a alegria dos milhares de fãs de Harry Potter. Com os mesmos produtores, o mesmo diretor dos quatro últimos filmes da franquia anterior e um roteiro todo escrito pela própria J.K Rowling, a criadora desse universo fantasioso, o filme foi um grande sucesso de bilheteria e recebeu elogios da crítica, trazendo novos personagens e várias referências a saga original, o que agradou boa parte dos fãs. A boa aceitação desse primeiro filme abriu portas para uma sequência. E ela chegou dois anos depois, em 2018. Porém, o segundo capítulo da saga ''Animais Fantásticos'' dividiu a opinião dos fãs e dos críticos, tornando-se o capítulo mais polêmico de todo o universo de Harry Potter, pelo menos até agora. O resultado, na opinião deste que vos escreve, é um filme mais maduro e complexo que seu antecessor, o que na minha humilde opinião, é o seu maior triunfo.




A trama se passa meses depois dos acontecimentos vistos no primeiro filme. Quando o poderoso bruxo das trevas Gellert Grindelwald (Johnny Depp) escapa da prisão em que estava sendo mantido, o professor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts Alvo Dumbledore (Jude Law) recorre a ajuda do magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) para impedir os planos malignos do vilão de dominar o mundo bruxo e também das pessoas comuns. Enquanto isso, o jovem Credence Barebone (Erza Miller) inicia sua jornada para descobrir mais sobre seu passado, sem imaginar que ele pode ser a chave para evitar, ou não, uma guerra bruxa. Newt e seus amigos precisarão unir forças para encarar uma aventura cercada de enigmas e mistérios, com a intenção de por um fim ao reinado de terror de Grindelwald e seu poder sombrio.  






Diferente do primeiro ''Animais Fantásticos'' que apostava em uma história simples, cujo o grande atrativo era a nostalgia e as referências ao universo Harry Potter, esse ''Os crimes de Grindelwald'' procura finalmente desenvolver ainda mais o novo protagonista Newt Scamander e seus amigos, em um filme mais sombrio, sério e complexo, porém, mantendo todas as características principais do universo criado por J.K. Rowling. Claro, as referências e homenagens ainda estão presentes, algo que os fãs mais fervorosos vão adorar. Mas o roteiro assinado por J.K Rowling procura apresentar e desenvolver várias sub-tramas dos personagens conhecidos do primeiro filme e dos novos personagens aqui apresentados. Mesmo que ainda faça um bom trabalho na maior parte do tempo e consiga emocionar e empolgar de verdade, o roteiro deixa algumas pontas soltas e perguntas sem respostas que poderão ser respondidas em filmes futuros, o que aumenta a expectativa para conferir esses filmes.

J.K Rowling é uma escritora genial e deixou isso mais do que claro nos livros da saga Harry Potter. Porém, fica nítida a sensação de que ela inda está se acostumando com a ideia de escrever um roteiro de cinema, algo bem diferente de um livro. O roteiro de ''Os crimes de Grindelwald'' não é ruim, pelo contrário. É bem interessante os caminhos que a autora toma e as ideias que ela cria para esse novo capítulo, ampliando cada vez mais seu universo mágico. Mas o filme traz de volta aquele tom episódico, como o capítulo de um livro, algo visto também no primeiro filme. Mesmo assim, a trama consegue envolver e merece pontos pela complexidade em torno dos personagens e dos acontecimentos, o que torna esse um filme superior ao seu antecessor. 






Se o filme anterior impressiona pelo seu visual deslumbrante e rico em detalhes, ''Os crimes de Grindelwald'' mantém esse quesito em altíssimo nível. É um verdadeiro espetáculo, com efeitos visuais impecáveis. Tão bons e bem feitos que as criaturas mágicas são bem realistas, possuem peso e interagem perfeitamente em cena com os elementos reais e os personagens humanos. E cada uma delas são interessantes e visualmente impactantes. O design de produção criou cenários reais fantásticos que fazem uma boa reconstituição do final dos anos 20, junto com os ótimos e elegantes figurinos típicos da época. A cinematografia, explora a beleza de muitos cenários reais, mas mantém sua qualidade mesmo quando trabalha com ambientes digitais, principalmente nas cenas que se passam em Hogwarts, explorando a beleza e grandiosidade da icônica escola de magia. Por se tratar de um filme cuja a história se passa em 1927, o clima de época pode ser sentido, méritos também do bom trabalho de fotografia. A trilha sonora de James Newton Howard não imita o grandioso trabalho de John Williams presente nos filmes de Harry Potter, mas várias nota trazem um vislumbre nos mesmos moldes. Ou seja, possui seu próprio tom, mas deixa clara a inspiração. As cenas de ação são ótimas e a direção de David Yates faz um bom trabalho de montagem, que enriquece a qualidade desses momentos. 

Os fãs irão adorar as várias fã-services ao longo do filme. É possível encontrar muitos elementos vistos nos filmes protagonizados por Harry Potter aqui, o que não poderia deixar de acontecer, já que a trama se passa no mesmo universo. Seja com detalhes, objetos, personagens, feitiços e outros recursos narrativos, é sem dúvida um prato cheio para os amantes da obra de J.K Rowling. E o melhor de tudo é que a própria autora sabe onde e quando inserir essas homenagens ao seu universo fantástico. Ela já havia feito isso muito bem no primeiro filme e volta a fazer bem aqui. 




O elenco é muito bom, tanto os conhecidos quanto os novos integrantes. E existem alguns bons destaques. Eddie Redmayne se mostra ainda mais a vontade na pele do protagonista Newt Scamander. O seu talento e carisma é o que mantém o personagem funcionando e o seu desenvolvimento é bem legal. Jude Law cai como uma luva ao dar vida a versão mais jovem do professor Alvo Dumbledore. O ator mantém as principais características do personagem, que os fãs bem conhecem, e se mostra um excelente intérprete para o icônico professor de Hogwarts, honrando o que Richard Harris e Michael Gambon fizeram com o personagem anteriormente. Ezra Miller tem um desenvolvimento interessante como Credence, mas o roteiro ainda deixa muitos mistérios sem solução em torno do perturbado personagem. E Zoë Kravitz está bem como a misteriosa Leta Lestrange, cuja personagem é marcada por traumas e pela dor da culpa.

 O vilão Grindelwald traz a sensação de ameaça e perigo necessárias para o seu desenvolvimento. Porém, é um personagem cuja a inteligência, astúcia e poder manipulativo e de persuasão são seus grandes atrativos. Johnny Depp causou polêmica e controvérsias quando foi escolhido para interpretar o vilão visto pela primeira vez em ''Harry Potter e as relíquias da morte''. Com mais tempo em cena, depois de uma participação mínima em ''Animais Fantásticos e onde habitam'', o astro entrega um antagonista cujas motivações fazem sentido e convencem, mesmo que sejam maléficas. Seus diálogos são bem escritos e seu discurso final é convidativo e honesto. Infelizmente, o ator foi substituído para o terceiro filme. Mas, na minha opinião, ele conseguiu dar vida e personalidade a um vilão tão bom e promissor quanto Lord Voldemort. Já o restante do elenco, uns conhecidos e outros novos, não possuem tempo suficiente em cena para se destacarem, mas estão bem no que o roteiro os permite apresentar em cena, com menção para Katherine Waterston, Alison Sudol e Dan Fogler, o trio de coadjuvantes do filme anterior. 




''Animais Fantásticos: Os crimes de Grindelwald'' ganha pontos acima do seu antecessor por conta do seu roteiro mais maduro e complexo, indo além de uma aventura fantasiosa que apela para a nostalgia dos fãs. Mesmo que possua alguns deslizes, ainda assim, é um filme competente, interessante e com várias sequências dignas de serem lembradas dentro da franquia. O filme deixa sim várias perguntas sem resposta, o que é proposital, despertando ainda mais nossa ansiedade para os futuros filmes que virão. É uma pena que o longa não tenha caído nas graças de muitos, assim como o primeiro longa fez. Mas, como alguém que gostou imensamente deste segundo episódio da saga de Newt Scamander e sua turma, espero de coração que o futuro da franquia ''Animais Fantásticos'' seja grandiosa e merecedora de ser tão marcante e lembrada quanto aquela protagonizada por Harry, Rony e Hermione. Só nos resta esperar, e que venha logo o terceiro filme. 

Nota: ★★★★★★★★★ 9




ANIMAIS FANTÁSTICOS: OS CRIMES DE GRINDELWALD (FANTASTIC BEASTS: THE CRIMES OF GRINDELWALD - 2018) - Aventura/fantasia, 134 Minutos. / ESCRITO POR: J.K Rowling. DIRIGIDO POR: David Yates. - ELENCO: Eddie Redmayne, Johnny Depp, Jude Law, Ezra Miller, Katherine Waterston, Zoë Kravitz, Dan Fogler, Alison Sudol, Callum Turner, Claudia Kim,Poppy Corby Tuech, William Nadylam. CLASSIFICAÇÃO: 12 Anos. NOTA NO ROTTEN TOMATOES: 57%

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Taken (2002) - Análise - Uma minissérie fascinante sobre Alienígenas e a natureza humana!

Spirit: O Corcel Indomável (2002) - Análise - Uma maravilha cinematográfica animada!

O expresso Polar (2004) - Análise - Mágico e deslumbrante como o Natal!

A Lista de Schindler (1993) - análise - Obra-Prima insuperável de Steven Spielberg!

O Predador (1987) - Análise - Arnold Schwarzenegger em sua melhor forma nesse clássico de ação e ficção científica!

Cidade Invisível (Série Original Netflix - 2021) - Análise - O Folclore Brasileiro para adultos!

Lawrence da Arábia (1962) - Análise - Um clássico atemporal e impressionante em todos os aspectos cinematográficos!

Fantasmas do Abismo (2003) - Um incrível mergulho pela história!

OS 10 MELHORES FILMES DE TERROR NA MINHA OPINIÃO

Curiosidades e fatos sobre o Oscar - Especial RECOMENDO FILMES!