Nasce uma estrela (2018) - Análise - Uma belíssima história de amor, drama e música!
Por: Rudnei Ferreira
''Nasce uma estrela'' é considerada por muitos uma das mais belas e cultuadas histórias de amor do cinema, que já foi trazida para as telas quatro vezes. A primeira versão cinematográfica surgiu em 1937. Escrito e dirigido por William A. Wellman e estrelado por Janet Gaynor e Fredric March, o filme foi na época indicado a 7 Oscars, levando a estatueta de Melhor Roteiro Original. Em 1954, era a vez de George Cukor recontar essa história nas telas em um filme indicado a 6 categorias do Oscar. Já em 1976, o filme dirigido por Frank Pierson recebeu 4 indicações ao Oscar, levando o prêmio de Melhor Canção Original.
Mais de 40 anos depois, esse clássico foi revisitado mais uma vez, com nova roupagem e se passando nos dias atuais. E em 2018, ''Nasce uma estrela'' ganhou as telas novamente e veio comprovar que mesmo estando em sua quarta versão, ainda é uma história fascinante, possuindo ainda muito gás. E é nessa versão que vou me aprofundar nessa análise, já que foi a única das quatro que esse que vos escreve assistiu. Dirigido, escrito, produzido e estrelado pelo ator Bradley Cooper, além de contar com a ilustre presença da cantora Lady Gaga, o filme foi aclamado pelos críticos e fez muito sucesso nas bilheterias. Tamanho sucesso o colocou como um dos melhores filmes do ano, recebendo 8 indicações ao Oscar, Incluindo Melhor Filme, vencendo na categoria de Melhor Canção Original.
A trama gira em torno de Jackson Maine (Bradley Cooper), um astro da música viciado em Álcool e drogas, que sente o peso da fama e dos traumas que deixou no passado. Porém, ao conhecer a jovem Ally (Lady Gaga), uma sonhadora e talentosa cantora, Jackson vê a oportunidade de mudar sua vida e seus conceitos. Conforme investem em um romance e em sua carreira musical, eles irão encarar desafios e dramas pessoais pelo amor e pela fama.
Ao longo de sua duração, essa nova versão de ''Nasce uma estrela'' trabalha com os mais variados temas: amor, relacionamento, problemas familiares e pessoais, traumas, vícios, depressão e arrependimento. Mas talvez o que mais chama a atenção, além de todos esses assuntos citados, seja os efeitos da fama e o custo para alcança-la. É possível perceber no roteiro uma crítica social direcionada a maneira como a indústria da música seleciona e molda seus artistas. É possível, através da história, perceber a pressão da indústria em cima desses artistas, cujo produtores muitas vezes querem nada mais do que lucrar com o sucesso, sem realmente se importar com o bem estar daqueles que lhe proporcionam isso, ou pelo menos fingem se importar. Ou é seguido um padrão dentro do sistema ou nada feito.
Já os demais elementos são igualmente bem trabalhados, onde cada momento apresentado em tela é brilhantemente bem inserido, gerando um nível de imersão surpreendente. Acima de tudo isso, está a belíssima e encantadora história de amor musical dos protagonistas. Um romance bem natural e realista, cheio de sonhos e dramas, algo que em vários momentos e situações faz com que o espectador se identifique e se envolva cada vez mais com a trama e seus personagens.
Se o roteiro é eficiente em contar sua história e explorar seus temas, tais méritos só são possíveis também graças a direção. Bradley Cooper demostra que além de ser um bom ator, é também um bom cineasta. Em sua estreia por trás das câmeras, é muito interessante a maneira como ele decide conduzir a história através de uma direção segura e talentosa. Seu estilo dá ao filme um tom de documentário bem legal, como se estivéssemos acompanhando dos bastidores a jornada de fama e dramas pessoais dos artistas, gerando mais realismo para a história. Isso pode ser percebido pela maneira como Bradley manipula a câmera, com leves e constantes movimentações, apostando principalmente na câmera de mão, que acompanha e gira em torno das ações dos protagonistas, quase como se estivéssemos lado a lado deles.
A trilha sonora é sem palavras: simplesmente sensacional. Cada uma das canções são incrivelmente bem interpretadas, com melodias gostosas de ouvir e letras profundas e cheia de significados, com destaque para a ótima ''Shallow'', canção que ajudou e muito no marketing do filme e que ganhou merecidamente o Oscar. Com ajuda de uma montagem muito bem executada, a sensação de estarmos acompanhando um show e seus bastidores é ainda maior. Porém, mesmo que nos dê essa sensação, o filme funciona brilhantemente bem nessa sua proposta mais realista.
Bradley Cooper também entrega uma performance espetacular e muito tocante ao lado da cantora Lady Gaga. A química entre eles é algo extraordinário de se ver de tão boa. Ambos convencem como dois grandes astros da música e ainda mais como um casal com suas falhas e desavenças, mas ainda assim, um ótimo casal. Além da ótima atuação, Bradley solta a voz e não faz feio, onde seu timbre combina muito bem com as canções. O mesmo pode ser dito de Lady Gaga. A jovem cantora já não precisa provar para ninguém que é uma baita artista, e o longa exalta ainda mais isso. Mesmo que não tenha experiência na arte de atuar, Gaga entrega uma magnífica performance com uma protagonista tímida e sonhadora, mas que quando abre a boca, deixa todo mundo maravilhado com sua voz forte e afinada. Uma coisa interessante de se ver é como o roteiro trata sua personagem em determinado momento da trama, onde sua imagem é moldada e construída fazendo referências a carreira e a imagem da própria Lady Gaga na vida real. A jornada de Ally em sua carreira musical é um espelho realista de Lady Gaga na vida real, o que fica impossível de não se associar.
Embora sejam a alma do filme, o casal não é o único a brilhar em cena. Os coadjuvantes também fazem um excelente trabalho, com destaque especial para o sempre ótimo Sam Elliott, excelente nos diálogos e nas ações. Ainda falando em Lady Gaga e Bradley Cooper e também sobre a trilha sonora, a história inspiradora e dramática dos protagonistas e o poder das canções resultam em um clima absurdamente emocionante, especialmente nos minutos finais. Sem dar spoilers, mas é muito provável que aqueles mais sentimentais venham a derramar algumas lágrimas. Portanto, esteja com o lencinho preparado do seu lado, pois a emoção pode vir a tomar conta de quem acompanhar esses belíssimos e tristes acontecimentos.
''Nasce uma estrela'' é muito mais do que apenas mais um remake. É uma emocionante e apaixonante história cheia de temas realistas e importantes, talento de sobra na frente e atrás das câmeras e uma das melhores trilhas sonoras da atualidade. Acima de tudo, celebra um dos contos mais românticos e celebrados do cinema e o resultado é um ótimo filme que surpreende de maneira positiva pela sua grandiosidade. Prepare-se para sorrir, cantar, chorar e se apaixonar com esse grande sucesso cheio de emoções e sentimentos.
Nota: ★★★★★★★★★★ 10
NASCE UMA ESTRELA (A STAR IS BORN - 2018) - Romance/Drama/Musical, 135 Minutos. / ROTEIRO, PRODUÇÃO E DIREÇÃO: Bradley Cooper. - ELENCO: Bradley Cooper, Lady Gaga, Sam Elliott, Dave Chappelle, Anthony Ramos, Andrew Dice Clay. CLASSIFICAÇÃO: 16 Anos.













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