MATAR OU MORRER (1952) - ANÁLISE - UM CLÁSSICO DO WESTERN QUE VALE À PENA CONFERIR

 




Por: Rudnei Ferreira 


O gênero Western, ou como é conhecido Faroeste, surgiu por volta do século 18, tendo como principais temas histórias que se passavam no Oeste Americano sobre pistoleiros com chapéu, esporas e armas, se envolvendo em duelos cheio de perseguições e tiros. Os anos se passaram e, mesmo nos dias de hoje, fãs e admiradores continuam a apreciar essas histórias tão antigas, mas que sempre são contadas e recontadas por gerações. Sergio Leone (1929-1989), aclamado e respeitado diretor italiano é lembrando pelos amantes de cinema como um dos principais cineastas a trabalhar com esse gênero, reinventando o Western com obras elogiadas como ''Era uma vez no oeste'' e ''Três homens em conflito''. 

Hoje em dia, é possível encontrar filmes modernos e recentes que contam as histórias antigas do velho oeste. Mas os grandes clássicos são considerados por muitos os melhores do gênero. Embora tais filmes tenham muitas similaridades uns com os outros devido aos enredos familiares, alguns filmes que foram lançados ficaram marcados por tentarem apresentar algo novo, sem deixar de lado os clássicos elementos do Western. ''Shane'', de 1953 ou ''Os brutos também amam'', como é conhecido no Brasil, é um belo exemplo disso, considerado um dos melhores filmes o gênero até hoje. O mesmo pode ser dito de ''Matar ou morrer'', lançado um ano antes de ''Shane''. O longa de Fred Zinnemann chamou a atenção do público e dos críticos na época, recebendo 6 indicações ao Oscar e se consolidando como um dos maiores clássicos do Western.  





O longa se passa no oeste americano, onde o Xerife Will Kane (Gary Cooper) está as vésperas de se aposentar do seu cargo, deixando essa função para um novo substituto. Kane aproveita esse seu último dia na profissão para se casar com sua amada, a bela Amy (Grace Kelly). Porém, essa felicidade em dobro é interrompida com a noticia de que um grupo de pistoleiros, liderados por Frank Miller (Ian MacDonald) planeja vir até a cidade no trem do meio-dia, em busca de vingança contra aquele que o prendeu, nesse caso, o Xerife Will Kane. Decidindo ficar na cidade, Kane procura outros homens da cidade para ajudá-lo a combater o grupo de criminosos. Porém, com quase todos negando ajudar, o ex Xerife teme não ver outra solução se não encará-los, sendo esse o seu último ato antes de deixar seu posto para sempre. 





Como citado nos parágrafos acima, ''Matar ou morrer'' tem uma abordagem diferente de outros demais filmes do gênero. Isso porque o roteiro foca em uma trama voltada mais para o suspense e o drama e a narrativa vai se desenvolvendo através do uso de bons diálogos e também da trilha-sonora em uma história que ainda fala de bravura, coragem e honra. A ação é deixada em segundo plano, devido ao roteiro se preocupar com a história. Mas ela não é descartada e tem principal desenvolvimento especialmente no ato final. Mas o filme possui um bom ritmo e se desenvolve muito bem, com informações suficientes para chamar nossa atenção. A atmosfera significativa em torno do herói que aguarda pela chegada de seus inimigos gera expectativa, e, o mais legal, é acompanhar seus passos e ver onde sua jornada vai nos levar e como vai acabar. Partindo disso, o filme cumpre bem essa função. 





Mesmo se tratando de um filme realizado no início dos anos 50, ''Matar ou morrer'' envelheceu bem nos seus aspectos técnicos. O design de produção recria nas telas vários elementos clássicos do gênero como os cenários e os figurinos que se remetem à época em que a história acontece. Elementos cinematográficos como a Mise-en-scene são bem empregados, com cuidado nos detalhes visuais do filme. A fotografia preto e branco, algo comum em filmes da época, traz um contraste estiloso e bonito para as cenas, principalmente por se misturar bem com os outros aspectos citados como os figurinos e os ambientes. A edição é muito boa, sendo de grande importância para ajudar a contar a história e fazer transições importantes que ajudam a narrativa. Não podemos deixar de falar de Do Not Forsake Me, Oh My Darlin'', a bela canção original vencedora do Oscar e que serve de tema para o protagonista e sua jornada, funcionando também como ilustração para seus sentimentos e emoções. O filme manteve essas qualidades mesmo com mais de 60 anos de seu lançamento e mesmo assistindo nos dias de hoje, é perceptível o cuidado da produção. 






O elenco é muito bom, contando com boas atuações de alguns dos grandes astros da época. Gary Cooper faz bem o tipo durão e que não foge de briga, algo muito comum em personagens masculinos do gênero. O ator possui presença e até um certo charme e carisma para compor seu protagonista, entregando um herói marcante dentro do Western. As divas Grace Kelly e Katy Jurado trazem beleza e personalidades fortes para suas personagens. Katy, inclusive, entrou para a história como a primeira atriz mexicana a ganhar um Globo de Ouro pelo seu desempenho em um filme americano. Os demais membros do elenco de apoio se saem igualmente bem, servindo aos seus propósitos dentro da história. O desfecho épico envolvendo o grande combate final merecia mais. Não que seja ruim ou decepcionante, muito pelo contrário. Mas a atmosfera em torno desse momento é o que dá peso à história, portanto, merecia mais tempo e ainda mais carga dramática e emocional. Mas é apenas um detalhe, e o resultado final se mantém positivo.  

''Matar ou morrer'' é um clássico dos faroestes. É um filme bem feito que mantém sua qualidade mesmo depois de décadas do seu lançamento e merece ser lembrado como um filme que tentou trazer algo de diferente para o gênero, sem deixar de lado os elementos que o fazem ser um bom filme ''Bang-bang''. Simples, mas com um bom conteúdo, é a minha indicação para quem gosta e procura por um bom clássico do cinema. 

Nota: 🌟🌟🌟🌟🌟🌟🌟🌟 8 





MATAR OU MORRER (HIGH NOON - 1952) - Faroeste/Drama, 84 Minutos. / DIREÇÃO: Fred Zinnemann. - ELENCO: Gary Cooper, Thomas Mitchell, Lloyd Bridges, Katy Jurado, Gracy Kelly. CLASSIFICAÇÃO: 12 Anos. 


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